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O que é Inteligência Coletiva


Durante muito tempo interpretei o termo Inteligência Coletiva de acordo com o significado que subentendia das próprias palavras. Isso me condicionou, claro, a comparar Inteligência Coletiva com colméias, formigueiros e a todos os grupos que juntos conseguiam desenvolver um sistema inteligente. Doce engano. Ao ler o livro Inteligência Coletiva do Pierre Lévy percebi que minhas analogias, eram, no mínimo, superficiais.

Adotei a estratégia de identificar os pensadores que promoviam o tema e estudar a origem e suas derivações para ampliar minha visão sobre o assunto. Não foi difícil de identificar que Pierre Lévy tinha muito conteúdo sobre o tema, e outros pensadores como Marvin Minsky, Steven Johnson, Howard Rheingold e Robert Putnam compunham o universo corelacionado a Inteligência Coletiva.

Definição de Inteligência Coletiva

Usarei a definição descrita no livro Inteligência Coletiva do Pierre Lévy:

“É uma inteligência distribuída por toda parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das competências”.

Um forma de entender melhor essa definição é separar as afirmações e analisarmos por partes, assim como o próprio autor faz no livro.

“Uma inteligência distribuída por toda parte”
O saber não é reservado a poucos “privilegiados”, o saber está na humanidade. Essa afirmação valoriza todos os seres humanos, onde cada um de nós acrescenta algo referente ao nosso contexto de vida, independente da escolaridade, raça e classe social.

“Uma inteligência incessantemente valorizada”
Valorizada e distribuída. Hoje desprezamos a inteligência do savoir-faire (pessoa que tem savoir-faire, é aquela que sempre tem uma resposta para tudo, sabe como agir, se sai bem numa situação, tem apurado conhecimento de algo, Pierre Lévy usa muito essa expressão) através de boletins escolares, grades de qualificação nas empresas, existe uma busca pela padronização e pela redução do custo resultando em uma desvalorização da inteligência.

“A coordenação das inteligências em tempo real”
Neste ponto entram as novas tecnologias como internet, blogs e wikis que podem promover através das interações, um suporte para decisões, ações e acontecimentos e com isso permitir uma continua transformação do universo do conhecimento.

“Atingir uma mobilização efetiva das competências”
Antes de mobilizar as competências é necessário identicá-las. Como o saber está distribuído em todos nós, precisamos usar novas formas de identificar as competências de cada um, não com o propósito do lucro ou com visões empresariais, mas identificar suas inteligências e valorizá-las. Na era do conhecimento, deixar de reconhecer o outro em sua inteligência é recusar-lhe sua verdadeira indentidade social, é alimentar o ressentimento e a hostilidade.

Inteligência coletiva

Minha representação para Inteligência Coletiva

O que não é Inteligência Coletiva

Durante muito tempo relacionei a Inteligência Coletiva com um formigueiro, já que me parecia óbvio que aquele sistema produzia algo de inteligente em conjunto. Conforme a definição proposta por Pierre Lévy, o formigueiro não se assemelha com o conteito de Inteligência Coletiva porque:

  • A Inteligência Coletiva é uma inteligência distribuída por parte e no caso do formigueiro cada formiga não tem noção de sua participação no conjunto e não sabem como o que eles fazem se compõe com os atos dos outros indivíduos;
  • O formigueiro possui uma estrutura fixa, as formigas dividem-se em castas imutáveis e são intercambiáveis dentro de cada casta. Na Inteligência Coletiva nada é fixo, os indíviduos são singulares, nômades e longe de serem permanentes a suas castas, suas habilidades são desenvolvidas em um ambiente plural e mutante;
  • A inteligência do todo não resulta mecanicamente de atos cegos e automáticos, pois é o pensamento das pessoas que pereniza, inventa e põe em movimento o pensamento da sociedade.

A Inteligência Coletiva na construção do Social Commerce

O conceito de Inteligência Coletiva nos remete a construção de uma sociedade onde cada indivíduo interage e compreende sua participação no conjunto. Com a chegada da internet, as sociedades menores, os nichos, foram potencializados, permitindo que fosse facilmente coordenado em tempo real com o uso da tecnologia.

O mercado, como sempre, identificou rapidamente o potencial dessas pequenas sociedades do ponto de vista comercial, principalmente com a popularização do conceito de cauda longa, onde a soma de todos os interesses incomuns, dos nichos, compunham o mesmo tamanho dos interesses comuns.

Num primeiro momento, o interesse comercial, ajudou a alavancar o crescimento dos nichos, seja por patrocínio de grandes marcas a blogueiros especializados ou a ajuda dos buscadores em aproximar os interessados ao redor do tema.

Esse ambiente propício, somado a popularização das redes socias, proporcionou uma maior valorização (incessante) das inteligências, uma vez que, se cada indivíduo investisse seu tempo no cultivo de um conteúdo online baseado no seu savoir-faire esse trabalho em médio longo prazo teria um valor comercial e social para os envolvidos no tema.

O resultado da soma de milhões de pessoas online e suas contribuições atráves de comentários, reviews e experiências no uso de produtos e serviços permitiu a criação de uma fonte inesgotável de informação para ajudar na tomada de decisão nas compras online e offline das pessoas.

O Social Commerce não visa apenas o lucro. Não existe uma exploração das competências com o único objetivo para o capital, mas sim um movimento conjunto entre o lucro, óbvio, e o sentimento de realmente ajudar as pessoas a identificar produtos e serviços contextualizados com seus perfis, tudo isso sob a ótica das relações entre seus próximos, onde se consegue uma visão holistica sobre as necessidades, uma visão muito mais ampla que uma indicação baseada em lógica computacional.


Consultor e Palestrante de Automação de Marketing, Digibrother, Fundador da comunidade Mautic Brasil, Partner Allyde, Certificado Google, Partner no GrupoBBI. Estudou Design na FURB em Blumenau e se Formou em Análise de Sistema, 14 anos de experiência no mercado de internet, passou pelos departamentos de design, desenvolvimento, marketing (SEO e PPC) e gerência de projeto. Trabalhou nas empresas B2W, Visie e Associação Comercial de São Paulo. Co-fundador do Facíleme, aplicativo de f-commerce premiado e com 20 mil lojas virtuais. Artigos publicados em Marketing Automation, Data Driven, Social Media, e-commerce, Empreendedorismo e Tendências.

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